Se você está lendo isto, provavelmente já viu seu filho olhar para uma conta que deveria ser fácil e simplesmente não enxergar. Isso preocupa. Mas a maioria das crianças que têm dificuldade em matemática não tem discalculia, e as que têm podem ser muito ajudadas. Veja como diferenciar uma coisa da outra e o que fazer em seguida.
Quais são os sinais da discalculia em cada idade?
A discalculia aparece como um senso numérico fraco. Uma criança pode contar três objetos um por um toda vez, não saber se 7 ou 9 é maior ou esquecer um resultado como 4 + 5 no dia seguinte ao que aprendeu. Um sinal sozinho significa pouco. O que vale observar são vários sinais que duram meses, mesmo com um bom ensino.
A British Dyslexia Association considera a discalculia a forma mais grave de dificuldade de aprendizagem em matemática. Como ela tem a ver com a compreensão dos próprios números, os sinais mudam conforme a matemática da escola muda.
De 3 a 5 anos
Antes do ensino fundamental, os primeiros sinais listados pela Cleveland Clinic têm a ver principalmente com contagem e quantidades.
- Dificuldade para contar em ordem
- Não relacionar um número com aquela quantidade de coisas, como o número 4 com quatro bolinhas de gude
- Não reconhecer números escritos
- Dificuldade para colocar números em ordem do menor para o maior
Faça o teste em casa. Coloque três botões na mesa e pergunte quantos são. Muitas crianças simplesmente veem "três" sem contar. Uma criança que ainda precisa tocar em cada botão, mês após mês, está mostrando um dos sinais dessa lista.
De 6 a 11 anos
É nessa fase que a maioria dos pais percebe algo pela primeira vez. Os sinais costumam chamar a atenção quando as crianças entram no ensino fundamental, por volta dos 6 anos.
- Usar os dedos para contas bem pequenas como 2 + 3, muito depois de os colegas terem parado
- Esquecer fatos básicos e a tabuada, por mais que pratique
- Confundir +, −, × e ÷
- Ter dificuldade para ver as horas em um relógio de ponteiros
- Achar difícil contar dinheiro ou calcular o troco
Contar nos dedos é normal em crianças pequenas, então não entre em pânico só por isso. Só vira um sinal quando continua sendo a única forma de seu filho somar números muito pequenos, numa idade em que isso já não parece necessário.
Adolescentes e adultos
Em crianças mais velhas, a dificuldade passa para o dia a dia. Pense em pagar numa loja e conferir o troco, medir ingredientes de uma receita, ler um gráfico ou controlar o tempo. Alguns adolescentes travam quando o professor faz uma pergunta de matemática na frente da turma.
A discalculia é comum?
Especialistas estimam que a discalculia afeta de 3% a 7% das pessoas. Numa turma de 30, são uma ou duas crianças. A dificuldade geral com matemática é muito mais comum, e essa é a parte tranquilizadora. A maioria das crianças que têm dificuldade com números tem uma lacuna que pode ser preenchida, não um transtorno de aprendizagem permanente.
A British Dyslexia Association fala em cerca de 6%. Ela também diz que cerca de 1 em cada 4 pessoas no Reino Unido tem dificuldade para aprender matemática. Essa diferença entre 1 em cada 4 e 6 em cada 100 explica por que tantos pais se preocupam e por que a maioria acaba lidando com algo mais comum.
Então, tudo bem ficar atento sem pensar no pior. Conhecer os sinais é importante para as poucas crianças que realmente têm discalculia, porque são elas que mais se beneficiam de ajuda precoce.
É discalculia ou só dificuldade em matemática?
A discalculia não desaparece com mais prática do jeito de sempre. Uma criança que está apenas atrasada, talvez por ter perdido um conteúdo ou mudado de escola, costuma se recuperar quando a lacuna é preenchida. Se um bom ensino e a prática regular mudam muito pouco ao longo de meses, peça uma avaliação, porque só um profissional capacitado consegue de fato diferenciar as duas coisas.
A discalculia não tem nada a ver com inteligência ou esforço. A Understood, uma organização sem fins lucrativos para pessoas que aprendem de forma diferente, é clara nesse ponto. Muitas crianças com discalculia são rápidas e curiosas em outras matérias. É justamente esse contraste que confunde os pais, principalmente quando a escola diz que os resultados estão "dentro do esperado".
E a ansiedade matemática?
Ansiedade matemática é medo de matemática. Ela pode fazer uma criança capaz travar, chutar a resposta ou se recusar a tentar, então, vista de fora, pode parecer muito com discalculia. Uma criança também pode ter as duas, já que a ansiedade é uma das condições que frequentemente acompanham a discalculia. Se seu filho fica muito nervoso com números, conte isso ao professor ou a quem for avaliá-lo, para que possam ver o quanto é preocupação e o quanto são os números em si.
Dislexia e TDAH
A discalculia costuma aparecer junto com a dislexia ou o TDAH, observa a Understood. Muitos pais percebem que o apoio que o filho recebe na escola se concentra em leitura e escrita, e a matemática fica de fora. Se seu filho já tem apoio por dislexia ou TDAH, pergunte se a matemática faz parte do plano.
Como a discalculia é diagnosticada?
Não existe exame de sangue nem de imagem para a discalculia. Um profissional capacitado chega ao diagnóstico avaliando habilidades matemáticas, senso numérico e memória, e descartando outras causas. Quem faz isso depende do país. No Reino Unido é um professor especializado em avaliação, enquanto no Brasil costuma ser um psicopedagogo ou um neuropsicólogo.
Uma ordem sensata é esta.
- Converse primeiro com o professor. Pergunte o que ele observa em sala e se a escola pode oferecer reforço.
- Faça anotações por algumas semanas. Quais tarefas são difíceis? Quanto tempo leva a lição de casa? Como seu filho se sente em relação aos números?
- Cuidado com testes e triagens on-line. A British Dyslexia Association lembra que uma triagem não consegue diagnosticar a discalculia. Ela só pode indicar que faz sentido fazer uma avaliação completa.
- Peça uma avaliação completa se as coisas não melhorarem. A escola ou o pediatra do seu filho podem dizer quem faz isso na sua região.
Não é preciso ter diagnóstico para a ajuda começar. No Reino Unido, a British Dyslexia Association diz que a criança não precisa de diagnóstico para receber apoio, e que as escolas têm o dever de fazer adaptações. Avaliações particulares podem ser caras, então é justo perguntar primeiro à escola o que um diagnóstico mudaria para seu filho.
O que ajuda uma criança com discalculia?
Crianças com discalculia se saem melhor com um ensino focado exatamente nas habilidades que acham difíceis, passo a passo, muitas vezes individualmente ou em grupos pequenos. Não existe cura, mas o apoio certo ajuda, e ajuda mais quando começa cedo.
A Cleveland Clinic descreve o apoio como programas de aprendizagem individuais, montados em torno do que a criança acha mais difícil. A Understood resume de forma simples. Quanto mais cedo crianças com discalculia recebem ajuda, melhor.
Na escola, a British Dyslexia Association sugere adaptações como estas.
- Uma reta numérica ou uma tabela de tabuada na carteira
- Fichas, blocos e outros objetos para manipular
- Tempo extra nas atividades e provas de matemática
- Uma calculadora para algumas atividades
- Tempo com um professor de apoio, sozinho ou em grupo pequeno
Em casa, o mais útil que você pode fazer é tirar a pressão. Deixe os momentos de matemática curtos e tranquilos. Contem degraus, dividam uvas, ponham a mesa para seis. Dados, dominó e jogos de cartas dão muitas oportunidades de perguntar "quantos são?" e "onde tem mais?" sem parecer lição de casa. Elogie o jeito como seu filho chegou à resposta, não a rapidez, e nunca o compare com um irmão, uma irmã ou um colega.
Os jogos ajudam pelo mesmo motivo. No Math Max, cada ataque de uma luta é um problema de matemática, então a criança resolve contas porque quer que seu lutador vença, não porque uma folha de exercícios mandou. O jogo de comparar números trabalha qual número é maior, e o jogo de pares de números os pares que formam um total, como 3 e 7, que fazem 10. A luta abaixo pergunta qual número vem antes do 10, o mesmo tipo de pergunta sobre ordem dos números que aparece nos sinais acima. Use como uma brincadeira tranquila junto com o apoio da escola, não no lugar dele.

Adolescentes e adultos podem ter discalculia?
Sim. A discalculia dura a vida toda, então o adolescente não a supera com a idade. Ela costuma aparecer com dinheiro, horários, orçamento e estimativa de distâncias. Adolescentes e adultos também podem ser avaliados, então nunca é tarde para descobrir. Um adolescente que sempre achou os números difíceis tem bons motivos para perguntar.
Nos adolescentes, observe uma mistura de dificuldade em matemática e dificuldades práticas. Travar nas aulas de matemática, se atrasar com frequência e perder o controle do dinheiro são sinais típicos. Vale a pena falar disso com a escola mesmo quando as outras matérias vão bem.
Adultos com discalculia costumam se apoiar em ferramentas simples, como calculadora, relógio digital e um pouco mais de tempo para tarefas com números no trabalho. Quem quer reconstruir a matemática na vida adulta costuma dizer que ajudou voltar ao básico e entender por que cada método funciona.
Se você acabou de ouvir a palavra discalculia pela primeira vez, o futuro pode assustar. Em fóruns de pais, adultos com discalculia costumam responder aos pais preocupados da mesma forma. Eles encontraram seus próprios jeitos de contornar a dificuldade e construíram vidas e carreiras de que gostam.
Conseguir a ajuda certa importa mais do que o rótulo
Se vários sinais se encaixam e duram há meses, converse com o professor e pergunte sobre uma avaliação. Se só um ou dois se encaixam, mantenha a matemática em casa curta, tranquila e divertida, e veja como vão os próximos meses.
Seja qual for a resposta, seu filho não é preguiçoso nem lento. Uma ajuda paciente e prática com os números faz bem a qualquer criança que tenha dificuldade com eles.
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